Chapeau! É um produto muito bem conseguido. Está lá tudo pensado ao pormenor. E é assim que se faz!

A primeira vez que ouvi o #Salvadorable foi no vídeo da meia final (chama-se assim, ou isto sou eu a utilizar o jargão da bola?). Pareceu-me uma bocadinho possidónio-a-armar-em-mocinho-sensível: Com o olhar melancólico e sonhador de uma menina apaixonada e e pilosidade de um cristo católico. E uns ricos dentes!

A partir daqui onde ouviram jazz eu ouvi bossa nova, quando todos elogiam a harmonia eu, que me tinha distraído, “acordei” com um falsete e fui à procura do porquê…

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Infograma do #Observador

É brilhante o Mix de produto. No meio de uma Eurovisão estereotipada a canção portuguesa vinca uma intenção: lembrar um amor, querer um amor, querer tocar alguém… e é por ser apenas uma intenção (e não uma declaração) que toca toda a gente. E esta “Intenção” está-não-querendo-parecer-estar em tudo: no ar blasé-beto-descuidado, na camisola S.O.S Refugiees, na produção simples e autêntica, no pequeno palco intimista-no-meio-da-multidão, na canção cantada em-português-que-o-amor-não-tem-língua. Genial!

Este mix bem pensado resultou. A autenticidade funciona sempre. Cá e lá. O Salvador Sobral com o seu ar simples e vagamente uma data de coisas: boémio, apaixonado, beto, humilde, desassombrado e até doente – é um unicórnio, numa babel colorida e ruidosa. É um português a assomar uma data de coisas, uma imagem que encaixa com o “ser português” – é isto.

E já ganhou – com uma prestação que foi a vencedora nas redes sociais (#Salvadorable gerou sozinho tanto buzz como todo o resto da #Eurovision2017), para um pequeno país, com um panorama musical tão reduzido, isto é , sem dúvida um feito.