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O 5º Elemento Cabernet Sauvignon reserva, da Quinta do Arrobe é também um dos meus tintos preferidos.

Há muito tempo que um vinho não me sabia tão bem! Tendo em conta que era um branco e eu sou mais de tintos nunca devo ter bebido um branco com tanto prazer!
Por uma data de razões.
Em primeiro lugar porque objectivamente era muito bom. Bebi-o a acompanhar um excelente pão e uns queijos do além, mas poderia ter sido a uma refeição de carne, de peixe, à sobremesa ou como aperitivo!
E por uma data de outras razões:
É um vinho “de curtimenta”, um método ancestral que entre outras coisas origina brancos alaranjados (o que parece que hoje não tem muita procura, mas na prática pode apenas querer dizer que como não há oferta.. ninguém sabe que pode procurar…).
É de uva Fernão Pires, uma casta nacional.
E também por uma pieguice minha que me remeteu para os brancos Fernão Pires das vinhas velhas do Avô (que o Pai arrancou e substituiu pelas castas “da moda”, ficou por lá algum “Cardinal”, “Alfonso” e “Diagalges”….)
Hoje estão centenas de castas portuguesas em risco de extinção (não é o caso da Fernão Pires, para já). E em Portugal fazem-se, como nunca se fizeram, excelentes vinhos. De castas importadas. E, portanto cada vez mais iguais aos vinhos produzidos em Bordeaux ou… na Bulgária. Aqui e ali existem umas castas já quase extintas, quase sempre de vinhas mais antigas e lá vão aparecendo uns vinhos de “vinhas velhas”, mas aos quais os produtores raramente dedicam a atenção que faça deles grandes vinhos.
A pergunta que coloco é: qual é a razão que levará um comprador, digamos americano, a preferir um chardonnay português? Não me respondam “a qualidade”! Hoje “a qualidade” já não é um fator diferenciador – o acesso ao conhecimento e à tecnologia e um maior rigor legislativo veio nivelar muitíssimo a qualidade dos produtos.
Eu respondo-vos o quê – o preço! O “mais barato”. Somos os campeões dos excelentes produtos baratos!
E o que teríamos nós para vender caro? The scarcity! Pouco, único e muito bom! #ProdutosDeQuePoucosGostamMuito

 

#MagsFinalTouch: A #Inovação nem sempre é estar muito à frente e inventar coisas nunca pensadas. Em Portugal, inovar pode ser apostar numa certa ancestralidade autêntica que, num mundo globalizado, faça a diferença. A esta #Innovability, Portugal tem que adicionar a capacidade de construir Marcas – #MarcasPortuguesas