Sou virgem. De cigarros. Nunca fumei, nem sequer uma passa, zero, niet, jamé…! Das coisas mais inteligentes que (não) fiz na vida. É menos um cliché nas new year’s resolutions. Ao contrário de meio mundo que começa a listinha com o velho “Deixar de Fumar”. A grande entrance deste ano nessa resolução foi o gigante do tabaco Philip Morris, dona, entre outras, da Marlboro.philipmorriscigarros_02

Ciente do cerco cada vez mais apertado a PM lançou a partir de UK uma nova visão game changer infletindo o rumo com uma visão  de assegurar a perenidade do negócio. A campanha “Our New Year’s resolution: we are trying give up cigarettes”!!

É, antes de mais, um statement arrojado! Marca pontos só por isso. A indústria tabaqueira, ameaçada de muitos lados tenta adotar uma atitude de maior responsabilidade social, ao mesmo tempo que aposta na sustentabilidade do negócio com apostas “mais limpas” para o gesto, ritual e hábito de fumar.

A nova visão de negócio passa por assumir que o principal  malefício dos cigarros é o fumo, ou seja o facto de inalar tabaco queimado. Daí que as propostas são no sentido de transferir esse consumo para cigarros eletrónicos e para a mais recente aposta- os cigarros aquecidos.

O iQOS (I quit ordinary smoking) propõe-se oferecer uma experiência próxima do tradicional ritual de fumar, mas com efeitos muito menos nocivos. É um gadget semelhante a um telemóvel que inclui e é simultaneamente o carregador de uma boquilha que permite aquecer os heatsticks (cigarros mais pequenos, com filtro e nicotina) que acabam por ser inalados como um aerosol.

Em Portugal este conceito foi também já introduzido. Centenas de promotoras em tabacarias desafiaram fumadores a experimentar os cigarros aquecidos durante uma semana com um iQOS emprestado. Já vi muito boa gente com o seu iQOS entretanto comprado (70€) e com as novas caixas destes cigarros mais pequenos que, por enquanto, não incluem as (já) tradicionais mensagens e imagens aterradoras dos cigarros normais.

A nicotina continua, a dependência também, há quem goste do sabor, há que não goste e “potencialmente”, fazem menos mal.

A Inovação é que não é só no produto. É sobretudo na abordagem ao mercado e aos consumidores com a mensagem que o ideal seria deixar de fumar – Um site apenas disponível na Irlanda e U.K disponibiliza ajuda quem quer mudar para cigarros sem fumo ou deixar de fumar ( www.smokefreefuture.co.uk )

#MagsFinalTouch – é claro que toda um poderosa indústria que  viveu sempre da dependência criada nos seus consumidores, não se tornou de repente “amiguinha”… ainda faltam os estudos científicos para confirmar que estas soluções “potencialmente” menos nocivas, o são efetivamente. Entretanto procede-se a um “branqueamento” da postura das empresas e constroem-se pontes de negociação com os Estados e organismos regulatórios. Não custa tentar…