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Sou de uma família de heróis e lutadores.

Os documentários que inundaram as TVs com as #Cheias1967 relembraram-me disso! São as minhas primeiras memórias.

Por fatalidade morava na altura em Odivelas e toda a família de uma das minhas Tias era de Quintas. Justamente os dois locais onde a desgraça foi maior.

A Tia, com uma condição cardíaca grave estava na Maternidade, com o meu Primo de 2 dias. O Tio, estava na casa dos sogros, nas Quintas; quando acordou a casa estava inundada sem hipótese de abrir portas ou janelas. Inteligente e lutador conseguiu abrir um buraco no telhado, por onde saiu, com o sogro que conseguiu resgatar.

E o Pai e a Mãe! Vejo o Mãe com um candeeiro a petróleo (a eletricidade tinha falhado) à janela, a criar um foco de luz para os muitos de bairros que foram completamente arrasados e que iam na corrente. O Pai com uma corda conseguiu salvar pelo menos um. Lembro-me claramente da Mãe cuidar dele. Nada do Pai que era um homem muito grande lhe servia e foi um dos vizinhos que lhe deu roupa seca.

A partir daqui as memórias confundem-se mais – a minha casa, só de nós três, recebeu os 4 vizinhos do rés-do-chão, cuja casa inundou e os 7 do 3º frente a quem o telhado cedera. Num prédio de 10 famílias! As pessoas especiais que eram os Pais abriram as portas a todos. Uns heróis anónimos, lutaram uma noite para salvar, resgatar e ajudar outros. E oraram por nós e por todos.

#MagsFinalTouch: Esta e outras memórias, exemplos e experiências fizeram o que sou hoje.

#SustentabilidadeSocial #Solidariedade #FazerOBem