O primeiro escritor português a viver exclusivamente da Literatura nasceu a 16 de Março de 1825.

Com algumas simpatias por causas, mas sem credos nem políticas escreveu sobre tudo e sobre todos e contra tudo e contra todos! Participou na revolta da Maria da Fonte, foi amanuense, terá sido mesmo espancado por um capanga do Governador Civil de Vila Real depois o ter  invectivado num jornal.. Paixões, amantes, 3 mulheres, atrizes, dívidas de honra (como era elegante o nome que se dava dantes às dívidas de jogo!)… pobreza e até à sífilis que o cegou e que precipitou o seu suicídio – Teve uma vida, a todos os níveis, tão conturbada como os tempos em que viveu.

Um dos escritores mais profícuos da literatura portuguesa, foi-o por necessidade. Era genial e escrevia, aviava romances uns atrás de outros porque  precisava do dinheiro, não era cá a “necessidade de me expressar, ou esta verve que me inunda”. Não eram mesmo contas para pagar!.

As histórias eram inicialmente publicadas em folhetins, nos jornais, e posteriormente reunidas num romance editado em livro. O primeiro “Anátema” (trágico e brutal, pelo menos para quem como eu o leu em miúda…) começa, desarmante, assim: Capítulo I. “No qual se prova, que o auctor não tem geito para escrever romances” (grafia e gramática de há uns tantos AO atrás…).

Mais de 60.000 páginas depois, e já não escrito pelo seu punho, mas ditados, pois ficara praticamente cego, acaba assim “Trevas”, o seu último livro:

“E eu que, que tanto carpi os condemnados,

Os cegos – os supremos desgraçados! –

Já lágrimas não tenho para mim!”

É muito este dramatismo de vida e de alguns romances que culmina com o suicídio que deixa a maior impressão, sobretudo, para quem como eu, teve que precocemente ler e estudar “Amor de Predição”. Um enredo próprio de uma ópera trágica!

Em São Miguel de Seide, existe a sua Casa Museu onde estão os 137 títulos que publicou, em 180 volumes. E se estão este 3 livros “negros” a que já me referi, e que afastam muitos leitores da atualidade deste autor estão muitos outros (disponíveis também numa livraria perto de si) obras como “A Queda de um Anjo”, “Brazileira de Prazins” ou a “Corja”, verdadeiras sátiras sociais, por vezes, verdadeiramente hilariantes.

Capaz de ler, pensar e escrever sem parar, desassombrado e sem vestígios do politicamente correto, aos dias de hoje Camilo Castelo Branco, entre outras coisas, seria um sucesso de #StandUp comedy!

Camilo Castelo Branco 1825, uma #MarcaPortuguesa no dia 16 de Março, 194 anos depois de ter nascido #MarcasPT2019