A #FestaDosTabuleiros, em Tomar que decorreram por estes dias remontam às festas do imperador, instituídas por D. Dinis e D. Isabel, no quadro do culto do Espírito Santo. Estas festividades embora muito  ligadas aos Açores, particularmente a Ponta Delgada, e tendo sido espalhadas pelo mundo da diáspora dos açorianos, estão também ligadas a #Alenquer.

Embora pouco estudado, as primeiras referências a este culto estão ligadas a Alenquer, com um quadro de cerimónias eventualmente determinado pela própria Rainha Isabel, com várias insígnias e simbologias (que incluem a sua própria coroa).

D. Isabel e D. Dinis

D. Isabel e D. Dinis

O “Culto Português do Espírito Santo” surge em 1321,  sob a égide de D. Isabel, enquanto D. Dinis perante a extinção forçada dos Templários criava a Ordem de Cristo e se fomenta uma mística popular com características esotéricas que ainda hoje persiste nos Açores, com uma dinâmica popular, com capelas próprias – os Impérios, sem dependência eclesiástica.

Este culto, terá sido introduzido em Portugal por Isabel de Aragão,  em sequência de múltiplas influências que terá recebido na corte aragonesa antes do seu casamento e vinda para Portugal.

O seu avô Jaime I, foi educado pelos #Templários e a corte aragonesa acolhia ainda influências franciscanas e, eventualmente, até o catarismo. Isabel teria até tido contacto com outras influências míticas medievais, nomeadamente ligadas à sua ascendência materna, germânica. A uma das suas tias maternas,  Isabel da Hungria, também ela canonizada pela Igreja Católica, é atribuído, igualmente um “Milagre das Rosas” – uma simbologia esotérica alquimista. A doutrina do advento da Idade do Espírito Santo  do cisterciense Joaquim de Flora, e os ideais franciscanos  tiveram  impacte em Isabel daí que toda a sua vida tenha sido devotada à caridade.

Outros filósofos esotéricos como Arnaldo de Vilanova e Ramon Llull, frequentaram as cortes aragonesas e portuguesas, sendo a este  último atribuída a “doutrina do Espírito Santo”. Llull terá sido, também, um dos impulsionadores da conquista cristã do Norte de África, e a circum-navegação de África para atingir a Índia (de modo a “secar” as fontes de rendimento do Islão), objetivo que viria mais tarde a ser perseguido pela dinastia de Avis.

As Festas rapidamente se espalharam, vindo a abranger quase todo o território português continental e insular, com especial destaque para os Açores, atingindo o Brasil, África e na Índia, e, através de várias comunidades de emigrantes, também os Estados Unidos da América e o Canadá. E assim, mais ou menos adaptadas à dinâmica de cada local, as Festas do Espírito Santo transformaram-se num património do mundo.

“Em Alenquer, e após longa interrupção, a recuperação material dos edifícios da antiga Casa do Espírito Santo (Igreja e Arcada), propriedade atual da Santa Casa da Misericórdia local, veio possibilitar a restauração das antiquíssimas Festas do Império, em 2007, resultado do trabalho de uma comissão organizadora composta pelas Paróquias, Misericórdia e Câmara Municipal de Alenquer.

A intenção subjacente não foi, nem simplesmente a de recuperar e reconstituir historicamente as Festas do passado, como manifestação de tipo folclórico, nem torná-las um evento especificamente religioso, exclusivo da Igreja. Procurou-se, isso sim, captar a essência das antigas Festas e concretizá-las em adequação com o presente. E as Festas são hoje um acontecimento aglutinador, capaz de congregar as mais diversas forças vivas do concelho. Celebram tudo aquilo que se faz em prol do bem comum e da dignificação da pessoa humana, nas artes ou na cultura, no desporto ou no lazer, sob o lema “O Espírito sopra onde quer!”.

#RainhaSantaIsabel #IsabelDeAragão #MilagreDasRosas #D.Dinis #OrdemDeCristo #ImpériosDoDivinoEspíritoSanto #CultoPortuguêsDoEspíritoSanto

#MarcasPT2019

 

#MagsFinalTouch:

  1. O foral de #Alenquer conta com mais de 800 anos, sendo a sua história, contudo tão remota como o Jurássico. Rainhas, crenças, milagres, heróis quase sem memória, presépios ou vinhos são muitos dos elementos de um enorme #StoryTelling com um potencial gigante para construir uma #MarcaAlenquer fortíssima.

    Antigas notas de 50 escudos com a imagem da Rainha

    Antigas notas de 50 escudos com a imagem da Rainha

  2. D. Isabel não fica para a História apenas pela suas devoções e caridade. Na minha opinião o reinado de D. Dinis foi o mais brilhante da nossa história (foi, por exemplo o único governante em posição de emprestar dinheiro a outro Reino), a tal não terá sido alheia a inteligência e diligências da D. Isabel, nomeadamente como diplomata que conseguiu com a sua intervenção terminar os conflitos armados entre o marido e o filho de ambos, infante D. Afonso (futuro D. Afonso IV) que ao sentir-se secundarizado  por seu Pai em favor do bastardo Afonso Sanches declarou a intenção de prosseguir um conflito armado, muito perigoso para um Reino ainda recente e muito apetecido por reinos vizinhos.