Ainda há pouco tempo a raça #Bísara (porco) estava em vias de extinção, hoje é uma outra #MarcaPortuguesa que está na base do #FumeiroDeVinhais. Esta raça é a mais adaptada à região, e a alimentação é a outra parte do segredo: couves, nabos, abóbora porqueira, centeio, milho, beterraba, batatas e castanhas; crus até ao fim do verão, e cozidos e “temperados” com farinha ou farelos de milho ou centeio a partir de Setembro. A matança do porco realizava-se pela altura do Natal, altura em que o frio conservava melhor as carnes.

Os enchidos que diferem pelo tipo de carne e de tempero utilizados, depois de cheios e atados eram pendurados nos “lareiros” e colocados a secar à lareira, depois no fumeiro direto entre 8-15 dias e de seguida mais 15-30 dias  a secar ao lado, sem apanhar fumo directo. No final da ” fumagem” a cura continuava num local fresco e ao escuro. Por fim são lavados com vinho e azeite, enxutos e colocados ao ar e a seguir guardados em arcas de madeira. Hoje existem já cerca de 2 dezenas de pequenas fábricas que já abandonaram alguns destes processos tradicionais.

 

Para valorizar este património foi constituído o  Agrupamento de Produtores de Carne de Bísaro Transmontano  com o tem o objetivo de acrescentar valor à produção animal e respetivos  produtos, nomeadamente através da Feira do Fumeiro de Vinhais que conta com 150 produtores de fumeiro e um Espaço Gourmet, com vários stands de produtos de excelência: Salpicões, chouriças e chouriços, butelos, alheiras e presuntos… todos exibem o IGP (Indicação Geográfica Protegida)  e têm também a Denominação de Origem Protegida (DOP).

 

“O plano de ação para os próximos três anos passa pelo apoio à adaptação das explorações às condições do mercado, comercialização conjunta, centralização de vendas e fornecimento aos grossistas, organização dos processos, realização de estudos de mercado, criação de marcas e lançamento de campanhas de marketing.”

Butelo - a foto mostra alguma preocupação e cuidado. Contudo é feita na ótica do produto e do produtor. Se fosse na perspetiva do consumidor teríamos um enchido fatiado num prato, apetitoso e pronto a comer!

Butelo – a foto mostra alguma preocupação e cuidado. Contudo é feita na ótica do produto e do produtor. Se fosse na perspetiva do consumidor teríamos um enchido fatiado num prato, apetitoso e pronto a comer!

Esta é uma boa notícia. Não estando em causa a “qualidade”, a verdade é que até encontrar uma boa foto para ilustrar este artigo foi difícil; porquê? porque só há fotos na ótica do produtor – fotos de “fumeiros”, de enchidos inteiros, de molhos de enchidos… muito “genuínos”, mas pouco apetitosos; por exemplo: um prato de enchidos fatiados e com o “apetite appeal” que seduza os consumidores – não há visão de Marketing e (ainda) não se fala a linguagem do consumidor. Basta ver a sofrível foto dos enchidos no cartaz da Feira de Vinhais que decorreu este fim de semana. A autenticidade, manter a #EssênciaDePortugal como base de desenvolvimento de produtos e de #Inovação não impede que se desenvolvam estas competências. Atualmente a confeção de salpicões, chouriças  e outros fumeiros  já é, em grande parte, um processo de fabricação com qualidade certificada em pequenas fábricas e  unidades de transformação pelo que estão criadas as condições para a construção de #Marcas!

A produção de enchidos deste inverno pode ser uma das melhores dos últimos anos “dadas as condições climatéricas favoráveis, com muito frio e tempo seco, o que é favorável a uma boa cura do fumeiro” então esta é uma excelente altura para introduzir o #Marketing como fator de desenvolvimento, e de produtos passar a ter #Marcas.

#MarcasPT2019