É uma das mais icónicas #MarcasPortuguesas e nasceu há 625 anos.

Como todas as grandes marcas suporta e suporta-se noutras à sua volta: desde logo o cognome – o #Navegador, sem que jamais tivesse navegado. Esteve na origem da Marca que nós, portugueses, mais nos orgulhamos – #Descobrimentos!

Muitos outros aspetos da sua biografia, como um certo gosto pela teatralidade e até por festas e fausto contradizem a imagem austera e de negro que ficou para a História. Ainda em vida ficou à sua volta todo um mito e iconografia que o haveriam de transcender.

Transcrevo uma (parte)da visão muito atual e com grande sentido de #Marketing escrita pelo Historiador Alexandre Honrado, por quem nutro uma desmedida admiração e aqui inicialmente publicada.

“Se há uma figura de excelência na História de Portugal que mereça personificar o espírito do empreendedor e protagonizar simbolicamente o #Emprendedorismo, essa figura é a do Infante D. Henrique, dito, quase abusivamente o Navegador. E diz-se aqui abusiva tal designação, pois Henrique concebeu o navegar com visão Universal mas nunca embarcou…

A estratégia Portugal foi relançada pelo seu pai, D.João I, que recuperou a identidade de uma marca forte, a #MarcaPortugal ameaçada, por assim dizer, perante um take over castelhano… Em marcha, encontrava-se uma nova geração de ilustres – a Ínclita Geração – e o quinto filho do rei, Henrique, pegou numa marca forte, com pouco mais de duzentos anos, e não só a #Reposicionou como a disponibilizou ao Mundo inteiro.

A nova dinastia, a de Avis, iniciada por João I, tornou-se peça-chave na genética e na divulgação do sentido de #SerPortuguês, assumindo uma nova óptica de lucro: a #Expansão.

Portugal criou, com D.Henrique, uma #ImagemPremium, estabelecendo as novas regras de mercado: um Reino líder com uma expansão de rede nos quatro cantos do Mundo conhecido, revelado pelos navegadores portugueses, pilares fundamentais desta #VisãoEstratégica. Aliás, a imagem de grandiosidade parecia atrair o infante, se aceitarmos … Zurara: havia nele um sentido da teatralidade, um gosto pela ética cavaleiresca e desde cedo gostava de organizar cerimónias aparatosas… Vestia-se com roupas caras… encenava festividades dispendiosas…

É bem possível que a verdadeira biografia do Infante D. Henrique esteja, por contar. A verdade é que ainda em vida sua, em Portugal, produziu-se o mito em seu redor – transcendendo o homem, em glória e imortalidade.

O Príncipe Henrique, o Navegador… foi sobretudo a mais importante figura do início da era dos Descobrimentos – e um dos maiores mitos da história portuguesa.

A sua figura é tão dilatada em fama e prestígio que até os ingleses, quiseram destacar no Infante o seu sangue inglês. … Henrique era um dos filhos da princesa inglesa Filipa, de Lencastre… da casa dos Plantagenetas… e rainha consorte de Portugal através do casamento com o rei D. João I…

… Henrique levou a sua ambição ao Mundo, tornando-se “dono moral” de um Império.

Como empreendedor, terá estabelecido, no entanto, o seu plano de negócio a partir de uma realidade muito modesta: apesar de ser esse o desejo do rei, o património da coroa não era suficientemente vasto para para satisfazer as suas ambições. Portugal era um reino pobre para prover a cinco infantes. As guerras da independência tinham contribuído decisivamente para esgotar o património da coroa. O plano de negócio é um objecto que ainda hoje criamos com o objetivo de estruturar as principais ideias e opções que o empreendedor analisará para decidir quanto à viabilidade da empresa a ser criada.

O seu #PlanoDeNegócio parece ter sido o de mover o reino para fora das fronteiras tradicionais, reunindo uma frota e um exército poderosos rumo ao sul…

… Um projecto ou empreendimento pessoal ou corporativo pode ser estruturado e administrado de diversas maneiras, mas se o que se pretende é capital ou recursos de investidores, de bancos-“incubadoras” ou de outros órgãos de fomento, ou ainda se se pretende convencer outros parceiros a investir numa ideia, há que colocar na ponta do lápis o plano de negócios. No caso do Infante, esta “estreia” parece ser cuidadosamente preparada, e a frota que partiu rumo ao norte de África era um ensaio que resultava de muitos tempo de ponderação. Há notícia de que, quase dois anos antes, em Março de 1413, D.Henrique tinha mantido conversações com os mais experimentados generais de D.João I, com o intuito de preparar uma cruzada contra o Islão… Este momento propedêutico da tomada de Ceuta é sintomático no que se passará a seguir na vida e acção empreendedora do infante, acabado de sair da adolescência mas aparentemente figura primordial no protagonismo entre a elite dirigente portuguesa.

Muitos elementos convergem para a posterior acção empreendedora do infante – e para o seu êxito. A sua ligação à #OrdemDeCristo dota-o de meios materiais diversificados. A Ordem era herdeira da extinta #OrdemDosTemplários, cujas riquezas eram famosas e incluíam os conhecimentos de navegação ( da Península Ibérica ao Médio Oriente )… possuía cópias dos mapas do famosos Claudius Ptolomeus, o carógrafo de Alexandria, que mostravam o mundo romano, desde as Canárias à Taprobana. D. Pedro terá trazido ao irmão uma arca com mapas e um diário de uns irmãos venezianos, oferta preciosa dos Doges de Veneza. O diário seria o de Marco Polo, com muitas das suas anotações e os seus mapas preciosos.

Na lenda… terá fundado uma vila no promontório de Sagres, onde terá vivido… Parece, isso sim, ter-se fixado nos arredores, entre Budens e a Raposeira… ainda hoje se pode visitar a Ermida de Nossa Senhora de Guadalupe, pequena ermida recentemente recuperada datada do século XIII, com diversos elementos góticos numa base ainda românica que pertenceu à Ordem dos Templários e depois à de Cristo.

Da escola de navegação nada se prova.. Com ou sem escola formal, a verdade é que o acervo de mapas , portulanos e segredos de técnicas de navegar que permitiam ir voltar e, (extremamente importante) retornar a locais descobertos era o que de mais avançado havia na cartografia… protegeu cartógrafos, dando-lhes guarida… e aproveitando o que hoje se chamaria o seu know how, agindo mais uma vez com visão empreendedora. Nos arredores da sua Quinta da Raposeira, o infante terá estabelecido estaleiros e oficinas de construção naval.

A partir das informações obtidas em Ceuta, todos os anos alguns navios tentaram explorações para o sul, no que resultou a série de descobrimentos, que imortalizaram a memória do infante D. Henrique.

Em 1418, #BartolomeuPerestrelo descobriu a ilha do Porto Santo… #GonçalvesZarco … e #TristãoVazTeixeira a Madeira… já conhecidas… D. Henrique… procurou colonizar as ilhas que se iam descobrindo. A Madeira, principalmente…Em 1432, #GonçaloVelhoCabral, encontrou as ilhas dos Açores.

No entretanto, não eram as ilhas do Atlântico que cativavam os cuidados do infante.Vinte tentativas se haviam feito para dobrar o cabo Bojador, mas os navegantes sempre recuavam por terror supersticioso. Finalmente #GilEanes… em 1434, e conseguiu o que se pensava ser impossível:  dobrar o cabo de todos os temores.

O infante D. Henrique faleceu em Sagres; o seu corpo foi depositado na igreja de Lagos, sendo dali trasladado para o convento da Batalha, em 1461… Sobre o túmulo vê-se a sua estátua de pedra, que em relevo o representa ao natural, vestido de armas brancas. e coroado de coroa real entretecida de folhas de carvalho, e uma rosa no meio; tem nela três escudos: o primeiro com as armas do reino de Portugal e as suas, e nos outros dois as insígnias das duas ordens que professara, de Cristo e da Jarreteira. Foram sua divisa uns ramos pequenos, e curtos como de carrasco com seus frutos pendentes, e por mote em língua francesa as palavras: Talent de bien faire. Esta divisa também se vê no túmulo, tendo por baixo numa só linha, em todo o comprimento do túmulo, um epitáfio em letra alemã. El-rei D. Manuel mandou colocar também o seu retrato na estátua de mármore sobre a coluna, que divide a porta travessa da igreja de Belém, como fundador da antiga ermida de Nossa Senhora do Restelo, que existiu primeiro naquele local.

( Todas as representações do infante desmentem aquela que o destaca nos painéis de São Vicente, com chapéu borgonhês e bigode, mais uma das lendas que o ornamentam ). O seu empreendeorismo é inequívoco e assina uma das páginas mais importantes da nossa história, capaz de encarar o Mundo e dar-lhe novos mundos…”

Alexandre Honrado, jornalista, escritor, professor e investigador (na área da História, membro do CLEPUL -Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias e do IECC-PMA (Instituto Europeu de Ciência da Cultura-Padre Manuel Antunes).

Nasceu em 1 de Novembro de 1960, na cidade de Lisboa.

Tem quase uma centena de livros publicados, alguns premiados e traduzidos, a maior parte dos quais para a infância e para a juventude. Tem escrito, encenado, produzido e realizado regularmente teatro, televisão e cinema. Como investigador trabalha atualmente no âmbito da História das Religiões.

BIBLIOGRAFIA

HONRADO, Alexandre, Isabel de Aragão, a Rainha dos Templários, Lisboa, 2009

LABOURDETTE, Jean-François, História de Portugal, Lisboa, 2003

MATTOSO, José, A Nobreza Medieval Portuguesa, A Família e o Poder, Lisboa,       1987-, Ricos-Homens, Infanções e Cavaleiros, A nobreza medieval portuguesa nos séculos XI e XII, Lisboa, 1982

– Portugal Medieval, novas interpretações, Lisboa, 1985

SARAIVA,  José Hermano, Dicionário Enciclopédico de História de Portugal, Lisboa

RUSSEL, Henrique o navegador, Livros Horizonte, Lisboa. 2004.

SUCENA, Eduardo, A epopeia templária e Portugal, Lisboa, 2008

ZURARA, Gomes Eanes de, Crónica da Tomada de Ceuta por El-Rei D.João I, ed. Francisco Maria Esteves Pereira, Lisboa, Academia das Ciências de Lisboa, 1915

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