A #Inovação é, muitas vezes dar utilizações diferentes a coisas e processos já existentes.

Dantes os #Moliceiros eram usados na  apanha do moliço(*), hoje foram reconvertidos para levar turistas a passear. Se #Aveiro é a Veneza de Portugal, os Moliceiros são as gondolas. É igualmente romântico, e espero que entre o manejar da vara e da sirga (que a par da vela são os meios de propulsão) haja também uns arrais que cantem um faduncho :), ou não… que isto é para ser #autêntico e não imitação barata da cidade turística mais enervante da Europa!

As embarcações (nos meios náuticos falar em “barcos” é quase um sacrilégio que identifica meros leigos…)  são lindas de tão elegantes, e sempre profusamente decoradas, o que poucos sabem é que as pinturas tendem a  ridicularizar situações do dia a dia. Portanto não posso deixar de me questionar se chamar “Presidente” ao moliceiro inaugurado este Domingo (o chamado “bota-abaixo”), 30 de Março, foi uma homenagem ou um alfinetada ao Professor Marcelo…

O aumento das atividades ligadas ao turismo (também) em Aveiro e apesar dos já poucos mestres construtores, “portadores de uma escola de saber ancestral”, têm aumentado as solicitações de recuperação, reconstrução e construção de novos moliceiros.

Este “o Presidente” é uma embarcação na linha das tradicionais e destinada a navegar na Ria. É de referir este aspeto porque agora há moliceiros e “moliceiros” já que alguns, destinados aos canais urbanos no centro da cidade de Aveiro, têm as proas mais baixas para poderem passar debaixo das pontes e, pela mesma razão, não têm mastro e navegam  a motor. Dores de crescimento deste turismo “how typical” que só queremos que não arruíne a autenticidade deste nosso #SerPortuguês!

As regatas, também famosas na região de #Aveiro, são sempre com os moliceiros tradicionais, com vela (sem motor) como é o caso da Semana do Emigrante, em agosto, e a da Romaria de São Paio, em setembroou ou da regata “Ria de Aveiro Weekend” que liga a Torreira à cidade de Aveiro, organizada pela Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro.

O moliço vai faltando… que cheguem turistas, afetos e novos modelos de negócio para que não se esfumem estas #MarcasPortuguesas, ícones de uma autenticidade que é, talvez, a maior força do posicionamento do #TurismoEmPortugal #VisitPortugal #CantSkipPortugal

#Moliceiros mais uma das #MarcasPT2019

 

 

(*) Moliço: Algas e outras plantas de água salgada que no caso da laguna da Ria de Aveiro eram colhidas por arrasto pelos moliceiros. Destinavam-se à agricultura como fertilizante dos campos; tal como o #sargaço, apanhado na praia junto à rebentação das ondas.

 

Foto -Jornal “O Público”