Então mas não foi aqui que nasceu Portugal?

14693868_1310513952332495_3845851649713111040_n

Imagem: andancasmedievais.blogspot.pt

Mais ou menos. Embora o primo Afonso Raimundes, Afonso VII à altura, lhe reconhecesse dignidade régia, os termos da conferência apresentam Afonso Henriques como vassalo do rei de Leão…

Mais interessante ainda é relembrar que alguns meses antes Afonso Henriques, possivelmente em Coimbra, ter-se-ia colocado debaixo da vassalagem direta do Papa numa homenagem à Sé Apostólica ante o enviado papal, o cardeal legado da Sé Apostólica, Guido de Vico, declarando  reconhecer apenas a autoridade eclesiástica e secular da Santa Sé e dos seus legados.

Em Dezembro, e à margem do acordado em Zamora, Afonso Henriques reúne-se  em Braga com o arcebispo D. João Peculiar (*) e com os bispos do Porto e de Coimbra, a fim de escrever a missiva a enviar ao Papa, a “Claves regni celorum“, na prática a formalização do acordo com Guido de Vico.

A resposta papal a esta carta mantém a ambiguidade: o Papa aceita a vassalagem do… ilustre duque portucalense! Não lhe reconhecendo a dignidade real por ausência de coroação sagrada pela Igreja. Esta apenas chegaria em 1179 – na Bula Manifestis Probatum de Alexandre III onde Afonso Henriques é reconhecido como rei e Portugal como reino independente.

Portanto a conferência de Zamora para além de um acordo de partilha de futuros territórios a conquistar aos Mouros, traduz a reserva mental de Afonso Henriques em relação ao primo, garantido o tratamento régio, apesar de uma declaração de vassalagem, em boa verdade, sem efeito prático, na medida em que existia uma prévia vassalagem jurada ao Papa.

 

(*)

#MagsFinalTouch – João Peculiar, bispo do Porto, arcebispo de Braga e primaz das Espanhas, acompanha Afonso Henriques em muitos momentos chave da instauração da nacionalidade portuguesa e é quem gere pessoalmente as relações com Roma. Pouco sei sobre esta figura que pressinto ter tido um papel de uma relevância que não lhe foi ainda atribuída.