As organizações orientam os seus processos para o cliente, certo?  Certo. Exceto o SAP! O software de gestão é o último setor económico em que o fornecedor é mais importante que o cliente!

Como? Vejamos uma típica implementação de sistemas SAP numa empresa: no ano -3 uma equipa de consultores SAP começa a analisar os processos, os fluxos internos e os touch points externos. No ano +1 já foram alterados os principais processos da empresa para se adaptarem ao SAP, o ano +2 é o caos e no ano +3 é contratado como Gestor de Operações o consultor SAP que implementou o sistema e que é o único para quem tudo faz sentido. Passaram-se 6 anos, ocorreu um tremenda turbulência interna, a empresa foi forçada a alterar os seus processos, não, como seria natural, na ótica dos seus clientes, mas na ótica de um dos seus fornecedores: o do software de gestão.

Não sou com certeza a única a, em consciência, admitir que é muito isto o que efetivamente se passa. Então porque continua a acontecer? Porque os gestores apostam no fracasso! A escolha do fornecedor é feita pela “garantia internacional”, pela facilidade de se desculparem se der mau resultado (e vai dar): “Se foi assim com a SAP, imagine-se com quaisquer outros…”

Porquê agora este tema se não é esta a minha área de trabalho? Porque tenho colaborado em projetos de Inovação Organizacional, como o que se poderia chamar “A Provedora do Cliente”, numa perspetiva #ConsumerCentric, e a constatar este movimento contra natura das empresas “modernizarem” os seus processos de modo a “encaixarem-se” nas soluções da SAP. Muitas vezes abandonando boas praticas aperfeiçoadas ao longo dos anos e adaptarem-se a modelos standard nem sempre adequados a realidades específicas.

Ando a remoer este desabafo desde há uns dias: o Q-Day Conference é um evento anual de reflexão e partilha de ideias e conceitos da Quidgest com os seus diferentes públicos e o deste ano abordou o Agile Manifesto numa transposição mais estratégica com o objetivo de tornar as empresas efetivamente ágeis – o Hyper Agile (com, por exemplo, automação da geração de código, que para mim é coisa para me deixar de boca aberta…).

Porque é que isto me interessa? Desde logo tudo o que seja no sentido de introduzir o conceito de “Ágil” no léxico da gestão em Portugal tem logo a minha simpatia. O meu modelo de Inovação é a #InovaçãoÁgil: fazer mais, com menos e mais rápido. Por outro lado, a Quidgest é uma empresa portuguesa de tecnologia, e é sabida a minha paixão por #MarcasPortuguesas. Os modelos internacionais, desenvolvidos sobretudo para realidades de grande escala, dificilmente têm aplicação linear na realidade portuguesa de pequenas e médias empresas.

 

Disclaimer: Não tenho qualquer vínculo que me ligue à  Quidgest. (mas tenho pena 🙂 )