Um zilhão de projetos, perspetivas, novidades, nacionalidades, unicórnios, sonhadores, criadores… e até sem-noção – o Web Summit revira Lisboa e permite-nos uma volta ao Admirável Mundo Novo em 3 dias!

Não se tem falado de outra coisa, sem pretender acrescentar, eis os meus hot topics:

  1. Muitas regiões fazem no WS o seu Marketing Territorial para a criação das suas Marcas. Para o ano quero lá voltar mas com o AlenQuerInovar, fica a dica Município de Alenquer

    Muitas regiões fazem no WS o seu Marketing Territorial para a criação das suas Marcas.
    Para o ano quero lá voltar mas com o AlenQuerInovar, fica a dica Município de Alenquer

    This is all about Marketing. Por exemplo Marketing Territorial – a Inovação, Tecnologia, Empreendedorismo, StartUps, Hubs, Incubadoras… tudo isto são tags que Países, Regiões e Cidades vieram acrescentar às suas imagens de marca com a presença neste evento. Logo à entrada no recinto pelo Pavilhão 4 era incontornável o “Leiria Full Stack City” e as suas Brisas para se começar o dia com um docinho :). Mas outros territórios se vieram aqui afirmar como ecossistemas inovadores de desenvolvimento empresarial: Desde logo o nosso País e sobretudo Lisboa, mas também os Açores, a Madeira… uns mais focados em apresentar as suas incubadoras, outros na captação de talentos, ou até no apoio a startups facilitando a ponte com empresas já no mercado e em busca de oportunidades de crescimento. Neste tópico de notar também a presença de muitos países a afirmar o seu potencial de incubação e criação de ecossistemas de inovação: Polónia, UK, Alemanha, Macau, Qatar, Dubai, Abu Dhabi, Arábia Saudita, Russia, França, Egito, Hungria… se juntarmos a isto as várias startups que todos os dias apresentavam os seus projetos o Web Summit permite uma volta ao Admirável Mundo Novo em 3 dias! (*)

  2. Privacidade, proteção de dados e regulamentação – basicamente a responsabilidade é nossa: que pegada digital deixamos e quais e a quem cedemos os nossos dados. A regulamentação é sempre com base no que já aconteceu não existe regulação do porvir e tudo acontece demasiado depressa no mundo digital… No primeiro dia Edward Snowden, da Rússia, por vídeo-conferência manteve a sua visão bastante crítica sobre estes temas da privacidade e que não são os dados que são explorados, são as pessoas! (Veja aqui). A segurança e a regulamentação e a auto-regulação foram não só temas debatidos mas também objeto de muitas das novas propostas apresentadas por startups.
  3. O robot que veio do frio sem perder o sentido de humor

    O robot que veio do frio sem perder o sentido de humor

    Robots e humanóides. A Sophia voltou, trouxe o Phil mas não acrescentou grande coisa, é tipo adultos a brincar com bonecos grandes… podiam estar a construir qualquer outra coisa daquelas que os nerds gostam,  legos infernais ou assim… Dentro destes desenvolvimentos mais lúdicos no último dia apareceu o Spot, um cão- robot que se passeou por entre o público, atravessou o  Altice Arena e subiu ao palco sozinho com agilidade canina, fez “gracinhas” e tornou-se viral no Youtube… deve ser dos filmes mas achei um pouco creepy… em contrapartida gostei do Gasparzinho,  da ID Mind, um projeto de investigação do Instituto Superior Técnico que pretende ser uma ajuda em  ambiente doméstico como auxílio a pessoas idosas ou com pouca mobilidade. O Alfred, funcional e pouco humanóide tem apenas dois “braços”  com  câmaras e sensores de movimento que no WS serviam frutos secos, cereais e M&M’s e que nos EUA,  já está a ser usado numa gelataria e num restaurante de saladas (onde quatro robôs conseguem fazer 200 saladas por hora). Promobot é o robot que veio do frio, russo, e já existem cerca de 500 espalhados por 35 países; as funcionalidades são várias: pode ir de assistente de aeroporto e confirmar o passaporte e emitir o cartão de embarque, pode ajudar num supermercado ou armazém na  localização de produtos ou servir de guia num museu ou galeria de arte e “comentar” as obras em exposição. No WS, conversou, tirou fotos e até dançou, com, pelo que pude observar, um sentido de humor ciclotímico.. (**)

  4. Head line da Casa do Impacto da SCML

    Head line da Casa do Impacto da SCML

    Sustentabilidade e temas paralelos têm estado sempre presentes ao longo das edições anteriores e este ano com maior destaque que nunca; a eficiência energética, mas não só – a eficiência de recursos como política de desenvolvimento sustentável, parcerias, desmaterialização, costumização, soluções para o combate à exclusão e à pobreza, e muita Inovação social, como a Santa Casa da Misericórdia presente com o projeto Casa do Impacto onde estão incubadas algumas startups com projetos de Inovação Social, ou  a Give Peace a Voice e a KPMG Portugal que em parceria com a Startup Portugal, lançaram o Tech for Peace Award (Veja aqui)

  5. Mais do mesmo – aquilo que mais entusiasma esta geração e que pode não ter grande aderência com oportunidades de mercado ou com Estados de Necessidade de Clientes e que são basicamente iguais a tantos outros projetos que já vimos nas edições anteriores, com uma ou outra funcionalidade marginal decorrente do desenvolvimento tecnológico que pode até nem ter consumer centric approach,

Em resumo: não sendo da área das tecnologias, vou ao Web Summit sobretudo para contactar de perto com esta geração que quer fazer acontecer, uns com mais noção, outros com menos, unicórnios, investidores, investigadores e sonhadores.. é sempre um caldo de tendências que me entusiasma muitíssimo em modo “Trend Hunter”… e por muitas críticas que por aí se vão resmungando só vos digo: o que eu teria dado aos 20 anos para que coisas destas acontecessem na minha cidade!

 

#MagsFinalTouch –

(*) Espero ver no próximo ano a (minha) AlenQuerInovar também presente neste grande evento de empreendedorismo, inovação e partilha de ideias e experiências

(**)A insistência no desenvolvimento de humanóides e na sua capacidade de “aprender” e “sentir” através do que acaba por ser o processamento de quantidades massivas de dados ainda não apresenta grande potencial de Inovação groundbreaking: se eu não gostar de conduzir, o que quero é a funcionalidade que me dispense de o fazer, pode ser o próprio carro a conduzir-se a si próprio, ter um humanóide a fazê-lo, para além de vagamente creepy (a culpa é de Hollywood) é redundante, a menos que esse humanóide consiga congregar uma série de funcionalidades que me liberte de várias outras tarefas, em modo personal assistant que deverá assumir a forma mais funcional para essas tarefas e que poderá ou não ser humanóide…